inSight
26 setembro 2006
  XVI
às vezes, falo-te pouco de mim.
não é de propósito, mas tenho sempre tantas coisas para contar.
e conto, conto, conto... e só entre meias palavras me vais apanhando.
ainda bem que estás sempre tão atenta!
 
19 setembro 2006
  XV


já tenho os brinquedos arrumados.
a caixa encostada a um canto.

limpei-lhes o pó. mirei-os bem. gosto deles assim estragados pelo uso. com pequenas falhas de tinta, aqui e ali um bocado do material arrancado.

vou sentar-me à tua frente e falar tranquilamente.
de hoje em diante, será assim:
um caminho directo
à procura do fim.

 
18 julho 2006
  XIV


quando saltar do baloiço
conseguirei ter os pés em terra firme?

conseguirei largar o caderno, onde aprendi a escrever as primeiras letras?

 
17 julho 2006
  XIII


não sei o papel que tenho
nem sei que lugar devo ocupar.
hoje sou tudo e sou nada.


e sinto-me tão baralhada!

 
  XII


é branco é vermelho é cinzento
é uma mistura, algo disforme, o sentimento que trago hoje em mim

 
20 junho 2006
  XI


tento manter a cabeça à tona.
o turbilhão é tão grande
que o corpo cede.
se conseguir respirar
renovar o oxigénio
talvez me aguente.

 
19 junho 2006
  X


gosto de me ver ao espelho.


mas hoje estou demasiado cansada para olhar para mim.


 
  IX


se me deixar levar,
vou acordar
ou adormecer?

 
06 junho 2006
  VIII


fiquei à espera que, com o decorrer do tempo, algo me iluminasse.
o relógio não parava. não parou.
as banalidades a saírem pela boca fora, sem controle aparente,
e eu a sentir-me tão estúpida por perder tempo com aquilo!
mas sem conseguir contrariar.

 
05 junho 2006
  VII


quando subir as escadas já estarei a desfalecer.
irei diluir-me no vão da escada, escorrer pela alcatifa, até que ao sofá chegará somente


um pingo



uma nódoa

 
  VI


nem me apetece imaginar, quanto mais concretizar.
é preguiça? é sofrimento?
não me apetece.
ainda assim, acho que te vou visitar.
não consigo assumir uma desculpa suficientemente boa para não ir.

 
02 junho 2006
  V


um amor atrevido

so o é, porque nos liberta.
é aquele que nos leva, com pudor e cerimónia, a ultrapassarmos a nossa timidez.
que nos permite ousar contemplar, ainda que de soslaio, o objecto do anseio.
que nos solta margaridas da boca, pétalas que caem, uma a uma, mesmo que tibuteantes.
nunca é aquele que nos faz ser inconvenientes. directos. crus.

 
01 junho 2006
  IV


a culpa, por muito que a enxotes,
essa, às vezes


morde!


 
  III


não encontrei ferrão com que te ferir.
fui branda no abandono.
hoje, ainda procuro libertar-me do lixo que trouxe.
tivera eu presente a razão nessa hora, e hoje serias paisagem.
assim, és um insecto.

 
  II


n
e
m

arrancadas
a ferro,



elas saem!



 
27 setembro 2005
  I


dois sofás. uma mesa com cadeira. uma estante com livros. uma mesa entre os dois sofás, dipostos em ângulo recto. um candeeiro. um cinzeiro.

 
eu e as minhas circunstâncias








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